Brincadeiras em casa!



É um dia chuvoso e todas as crianças estão enfiadas dentro de casa? Seu filho ou filha está doente, sem aula ou enlouquecendo de tédio? Você precisa de algumas ideias, jogos fáceis e rápidos para a festa de aniversário de uma criança? Bem, você veio ao lugar certo. Jogos para crianças não têm que ser trabalhosos ou complicados. O mais provável é que você já tenha tudo o que precisa em casa para chegar à diversão, jogos saudáveis que poderiam manter os pequeninos ocupados por horas. Aqui estão algumas ideias para ajudar a sua criatividade fluir:

Patinho, patinho
Este jogo não é só para crianças, os adultos vão achar que é engraçado também. Tudo que você precisa é de cadeiras, suficientes para todos os presentes sentarem-se em círculo, uma venda para os olhos, um travesseiro ou algo que possa ser usado para apontar. Uma pessoa é vendada e colocada no meio do círculo. Em seguida, todos se embaralham trocando de cadeiras, fazendo o mínimo de barulho possível. Para o próximo passo, há duas opções. Se um travesseiro estiver sendo usado, a pessoa que está no meio encontra um colo, coloca o travesseiro sobre ele e senta-se sobre o travesseiro. Se um ponteiro estiver sendo usado, a pessoa do meio simplesmente aponta em uma direção qualquer no círculo. A pessoa com os olhos vendados, então, diz o nome de um animal, por exemplo, "Patinho, patinho" ou "Sapinho, sapinho." O jogador apontado pela pessoa vendada ou aquele jogador sobre quem a pessoa vendada se sentou, em seguida, deve fazer o som do animal durante a tentativa de disfarçar a voz. A pessoa que tem os olhos vendados tenta acertar o nome do jogador que fez o barulho do animal. Se ele ou ela adivinhar corretamente, os dois trocam de lugar. Se não, o jogo continua.

Juntando os pares (jogo da memória)
Este é um bom jogo para pequenos grupos ou até mesmo para indivíduos. Você pode permitir que o jogador, ou os jogadores, crie suas próprias cartas de jogar desenhando figuras iguais, ou você mesmo pode criar as cartas utilizando o programa Clipart no computador. Pode ser com muitos ou poucos pares, como você preferir. Embaralhe as cartas e coloque-as viradas para baixo. O jogador ou os jogadores, em seguida, se revezam virando duas cartas de cada vez tentando encontrar os pares. Quem tiver o maior número de pares no final ganha o jogo.

Jogo garrafa esguicho
Este jogo tem a vantagem adicional de lavar algumas carinhas sujas durante o jogo. Semelhante ao "Patinho, patinho", todos se sentam em um círculo, exceto o jogador com o esguicho. Ele ou ela recebe uma garrafa esguicho cheia de água, pode ser uma garrafa plástica que espirre o líquido contido nela ao ser pressionada, e a permissão para escolher uma categoria. A categoria pode ser qualquer coisa, desde tipos de cereais, animais ou cores, por exemplo. Então, a pessoa com o esguicho deve silenciosamente escolher um item da categoria, manter o item escolhido na mente e ir ao redor do círculo, permitindo que cada jogador sentado fale um item da categoria escolhida. Quem adivinhar o item na mente do jogador que está com o esguicho é esguichado e se torna o próximo a esguichar.

Estourar o balão
Existem muitas variações do jogo onde o objetivo é estourar um balão. Uma opção, que é sempre um sucesso, é dividir o grupo em duas equipes, cada equipe forma uma fila. Cada pessoa recebe um balão e cada fila tem uma direção para correr. Quando o jogo começa, a primeira pessoa de cada fila corre para a direção designada, estoura o balão como desejar, corre de volta para a fila e toca a próxima pessoa. O jogo continua até que uma das equipes tenha estourado todos os seus balões.

Em um mundo em constante aceleração cheio de tecnologia e satisfação momentânea, é bom desacelerar de vez em quando e jogar estes jogos simples e divertidos. Você pode se surpreender ao ver o quanto as crianças gostam de atividades que não necessitam de telas de TV ou baterias. E se você receber pedidos contínuos para jogar estes jogos novamente no futuro, quem é você para desencorajá-los?

family with children on hands, sunset sky
Cris Poli
Nenhuma pessoa é uma cópia exata de seu pai ou de sua mãe. Cada um de nós é um ser único, com características próprias, qualidades e defeitos específicos e personalidade e temperamento bem definidos. Mas há um aspecto em todos os indivíduos que pode receber uma influência muito forte de seus pais: o caráter. É o caráter que vai determinar se você será honesto ou trapaceiro, bom ou mau, ético ou corrupto, digno ou de má índole. Em outras palavras, se será alguém que trará uma contribuição positiva ou negativa para a sociedade e o mundo em que vivemos.
Desde a mais tenra infância, todos estamos abertos a influências. Dia após dia, a criança recebe instrução de forma oral e observa os exemplos ao seu redor. E essas informações são absorvidas, processadas e transformadas em traços de caráter. Por isso, se o seu filho cresce em um ambiente em que todos se comportam de forma virtuosa, a probabilidade de que ele desenvolverá virtudes é enorme. Claro que isso não é uma ciência exata, mas crianças são como esponjas, que sorvem tudo o que ouvem e veem. Os pais precisam ter isso sempre em mente, para agir e falar de maneira tal que sirva como uma boa influência para os filhos.
O propósito deste livro é levar mães e pais a uma reflexão sobre valores fundamentais. Para que o casal ensine o seu filho — em palavras e atitudes — a se relacionar bem com o próximo, a ser gentil, bondoso, amoroso e cheio de outras qualidades. Em outras palavras, para que a criança absorva e desenvolva traços de caráter que farão dela, hoje, um filho exemplar e, no futuro, um adulto do bem, bom pai, cônjuge modelo, amigo sincero, profissional ético. Em resumo, um cidadão correto em todos os âmbitos.
Haveria muitas formas de se escrever este livro. Optei por usar como base as virtudes que mais norteiam a minha vida: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Na verdade, não fui eu quem inventou essa lista: ela está descrita no livro mais lido da história da humanidade: a Bíblia. O conjunto desses nove traços de caráter é chamado de fruto do Espírito pelo apóstolo Paulo, em uma das cartas escritas por ele e que consta do Novo Testamento — a destinada aos gálatas.
Nas próximas páginas falo sobre a importância de você, que é pai, manifestar cada uma dessas virtudes em sua vida, como exemplo para que seu filhop_10865também as desenvolva. Educar um ser humano é uma grande responsabilidade. E o mais importante no processo de instrução não é a transmissão de conhecimento, mas sim dos valores que farão dele uma pessoa virtuosa. Como orientou com muita propriedade o sábio Salomão: “Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe”.
Esse é o ponto de partida da formação de caráter: o lar, a família, as pessoas mais próximas. Para o seu filho, isso significa você. Pela importância que têm em minha vida pessoal e pelos valores que transmitem, escolhi usar o fruto do Espírito e a Bíblia como base para o conteúdo deste livro e também como fonte de muitos exemplos que vou mencionar nesta obra, pois as Escrituras cristãs são ricas em sabedoria e histórias de edificação.
Isso não significa em absoluto que pessoas adeptas de outras religiões não possam se beneficiar dos ensinamentos que transmito aqui, muito pelo contrário. Não escrevi este livro para evangélicos, católicos, espíritas, budistas ou judeus: o escrevi para pais. Todos os pais. Pois este não é um livro religioso: apenas uso princípios e exemplos bíblicos para transmitir ensinamentos que podem ajudar homens e mulheres de quaisquer crenças a educar seus filhos com a finalidade de se tornarem adultos bons, íntegros, de caráter e que deixem um legado positivo na sociedade.
A essência do que compartilho neste livro é fruto de décadas de experiência como profissional da área de educação, mas também como mãe e avó. Fiz questão de não me apresentar ao longo do texto apenas como a Supernanny, mas também como pedagoga e mulher de família. Assim, trago para estas páginas ensinamentos e reflexões que adquiri em diferentes âmbitos da minha trajetória.
Nada educa mais do que o exemplo pessoal. No caso das crianças, os pais são o modelo mais influente e que mais peso terá sobre a formação do caráter delas. Meu desejo é que Pais admiráveis educam pelo exemplo leve vocêa uma reflexão profunda sobre o seu papel na vida dos pequenos e o ajude a ser um pai ou uma mãe cada vez mais exemplar. Pode ter certeza de que você não vai se arrepender — e, um dia, seus filhos vão lhe agradecer.

Pai atuante, filho feliz

Pai 3
Pai, hoje quero reforçar um conceito muito importante para nós junto a nossas famílias: sermos pais presentes. Podemos viver muito bem e muito felizes sem casas, roupas finas, carros, vídeos games, viagens etc., mas seremos incapazes de ver a felicidade e desfrutar melhores dias sem a preciosidade de certas virtudes em nossas relações familiares.
Esteja consciente da necessidade da presença sempre presente. E jamais esqueça que somente um pai presente terá condições de satisfazer às necessidades psicológicas do seu filho.Para muitos pais, inclusive eu, isso pode significar muita disciplina pessoal e um esforço diligente para que as preocupações e as demandas da vida profissional não ocupem demasiadamente a sua mente e os seus afetos, na hora de estarem com os filhos e a esposa, em casa ou num eventual passeio.
Papai, ao chegar a casa, chegue, de fato, a casa. Traga para casa o seu ser inteiro, suas emoções, sua mente, seus afetos e suas atenções. Sua família não quer parte do que você é, sua família não precisa apenas de sua presença física, do seu dinheiro ou daquilo que ele pode vir a proporcionar. Os seus filhos precisam é de você, e por inteiro, papai.
Por isso, faça tudo o que estiver ao seu alcance para dar sempre o melhor de si mesmo. Espero que tenha conseguido ser bastante claro e que essa palavra fique gravada em sua mente e em seu coração.

 Tio Ulli

“Filho de peixe, peixinho é”, será?

carolejuliaNa sabedoria popular, o dito “filho de peixe, peixinho é”, serve para ensinar que a criança herda características físicas, emocionais e psicológicas de seus antepassados. Bem, esse pensamento secular chegou à igreja, servindo de impedimento para os pais cristãos verem a necessidade espiritual de seus filhos.
Quando perguntamos a um pai se já levou seus filhos a Cristo, a resposta: “Bem, ele já nasceu cristão”.  “Bom, ela é filha de crentes”. Ou ainda: “Ele foi criado no evangelho”. Comentários assim mostram que certos pais confiam na família, na igreja e na tradição religiosa para a salvação de seus filhos.
Porém, quem pensa dessa forma, engana-se. A salvação não é dada por herança. Religião, família, tradição, oração, não garantem lugar no céu. Deus não tem netos, só filhos. “Mas a todos os que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (João 1.12). O fato de alguém nascer em lar cristão, ser ensinado na doutrina ou frequentar a igreja não garante que tal pessoa seja ou venha se tornar crente. A salvação é pessoal e depende das decisões e escolhas que a pessoa toma por si só.
Nas páginas das escrituras encontramos, repetidas vezes, filhos de crentes, alguns até de líderes religiosos, que não seguiram o caminho de fé de seus pais. A palavra de Deus nos diz parar ensinarmos nossos filhos no caminho em que devem andar para que quando cresçam não se desviem dele. Tenha certeza de que seu filho já entregou o coração para Jesus!
Tio Ulli


Larga a chupeta!
Ajude seu filho a desapegar da 'peta'
Foi amor à primeira sugada. Minha filha Stella era fissurada na chupeta e, em seus dois primeiros anos, nós nem sequer pensamos que ela pudesse deixar este hábito. Quando ela queria o “bico” e este não estava ao alcance, Stella se descontrolava, chorando tanto que chegava a soluçar. 
Pacifier significa pacificador. Esse é o termo usado para definir chupeta em inglês. A psicóloga Maria Lúcia Müller Stein, mãe de Beatriz e Fernanda, explica que a chupeta pode ser um recurso para acalmar tanto o bebê quanto a mãe, e pode ser importante para evitar que a situação de choro, de desconforto, se prolongue. “Porém, espera-se que o bebê possa se desenvolver e encontrar outros recursos para se acalmar e também para substituir a presença materna. Nesse ponto, o brincar e a linguagem são fundamentais”, afirma Maria Lúcia.
Meu marido e eu descobrimos que era melhor sair de casa sem a carteira, sem as chaves e sem o casaco, do que esquecer a chupeta. Se por acaso esquecíamos, largávamos tudo para resolver o problema imediatamente. 
Não fui sempre uma defensora de chupetas. Quando meu filho mais velho, Giovanni, nasceu, eu as rejeitava - e olhava com desprezo e um certo ar de superioridade os pais que acreditavam nelas. Meu filho nunca desenvolveu o hábito. No entanto, ele "chupetava" o meu peito. Eu tinha me transfomado em um “bico” ambulante no seu primeiro aniversário. Por isso, quando Stella nasceu, decidi jogar no time das mães que defendem a chupeta. 
A separação necessária
A psicanalista Michela Kamers, mãe de Joaquim e Maria Clara, confirma que a dependência da chupeta muitas vezes é mesmo da mãe. “A pergunta que se coloca é: que outros recursos uma mãe pode utilizar para acalmar a criança que não apenas e exclusivamente a chupeta?  Por definição, a chupeta é um objeto transicional (de transição), que representa a mãe e sua ausência, implicando num objeto extremamente importante para a separação mãe-bebê. A mãe separa o bebê de seu corpo, mas garante a ele um representante de si mesma, no caso, a chupeta”, explica.
Sugar é prazeroso e calmante. Uma atividade tão natural que os bebês cultivam mesmo antes de nascer. A fonoaudióloga Ana Paula Córdova, filha de Maria Aparecida e Clovis, explica que a sucção já está presente entre a 17ª e a 24ª semanas de vida intrauterina. Michele Kamers acrescenta que a função calmante da chupeta se dá porque “a criança, quando nasce, apresenta o reflexo de sucção como forma de se relacionar com o meio. Nesse sentido, sugar cumpre não apenas uma função de alimentação, mas de satisfazer e dar prazer para a criança”.
Por meio da amamentação, o bebê é 'alimentado' com conforto, carinho e amor, iniciando, assim, sua relação com a mãe. A chupeta pode vir a ser uma forma de prolongar o prazer e o conforto da presença materna. Ela funciona como um substituto da mãe. “A chupeta em si é apenas um objeto que media a relação da mãe e do bebê. Se a mãe utilizar a chupeta para evitar seu contato com o bebê, isso é muito problemático, se utilizá-la para calar sua fala, também, podendo inclusive ter consequências patológicas bastante sérias. Porém, se ela for utilizada como um dispositivo de conforto, de cuidado, seu uso é justificado”, afirma a psicóloga Maria Lúcia.
Prós e contras
A Academia Norte-Americana de Pediatria aprova o uso da chupeta na hora de dormir, pois ela ajuda a diminuir o risco da Síndrome da Morte Súbita Infantil. “Uma das explicações é de que a chupeta manteria a permeabilidade das vias aéreas superiores, impedindo a obstrução devido à queda da língua durante o sono”, explica a professora do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro Miriam Perez de Figueiredo, mãe de Felipe e Carla. Por outro lado, o uso do artifício pode atrapalhar a amamentação. E é aí que a coisa pega. Você se lembra de ter visto em algum lugar propaganda de chupeta? Não, né? E por uma razão simples: é proibido. O objetivo da restrição é tentar evitar o desmame precoce, já que o uso de bicos artificiais muitas vezes faz com que a criança deixe de mamar no peito. Mesmo assim toda mãe sabe onde comprar e como usar a chupeta.
Pois é. Mas, antes de ceder à tentação de aplacar o choro com ela, lembre-se de que é mais fácil sugar a chupeta do que mamar, então os bebês podem não se alimentar o suficiente. A posição da língua na amamentação é diferente da posição usada quando o bebê suga a chupeta. Como sugar a chupeta é mais fácil, na hora da amamentação o bebê tende a colocar a língua na posição errada e poderá ter dificuldades em retirar o leite. "O bebê sugará menos, o que resultará em menor saída do leite e a mãe tende a produzir menos leite”, explica Jenny Rosen no livro Larga a Chupeta – Um Guia para Mães Aflitas (Ed. Panda Books). Por isso, é indicado que os pais esperem para introduzir a chupeta até que seu bebê esteja ganhando peso. “O bico não prejudica o aleitamento desde que seja oferecido quando a amamentação já está bem estabelecida, entre 15 dias e um mês de vida”, explica o pediatra Rodrigo Aguiar da Silva, filho de Alcindo e Maria. Eu pretendia seguir esse conselho e esperar até Stella ganhar mais peso, mas o meu marido, menos by the book do que eu, não aguentou. Quando Stella tinha cerca de duas semanas de idade, ele colocou uma chupeta em sua boca quando ela acordou às 3 da manhã. Voilà! Ela voltou a dormir. Dormiu por cinco, seis, sete horas, de uma vez. Era como se a chupeta tivesse caido do céu.
O fim da paixão
Depois que Stella e sua chupeta foram unidas, nada poderia separá-las. Mas nem pensei em tentar. No início, os pais podem se apaixonar pela chupeta tanto quanto seus filhos, mas a fase da lua de mel não dura para sempre. Por volta do final do primeiro ano, o lado negativo das chupetas aparece. Quando vi minha filha de 2 anos de idade com sua chupeta falar frases completas, me senti numa saia-justa.
O dia em que ela usou a palavra “ridícula” entre sugadas eu perguntei ao meu marido se ela já não estava ficando grandinha para usar chupeta. “Eu não sei”, respondeu ele. “Qual é a regra?”A maioria dos pediatras acredita que a idade correta para "desmamar" é com 2 anos, quando a chupeta passa a ser um obstáculo para o desenvolvimento da fala.“O mais importante é os pais controlarem a ansiedade e oferecerem menos a chupeta. Devem reduzir o uso ou até limitar para a hora de dormir. Há casos em que os pais se acomodam com o ‘conforto’ que a chupeta dá e não percebem o crescimento dos filhos” explica Solange Wertman, mãe de Raphaela e idealizadora do projeto Babá e Bebê.
Comecei a me perguntar: existe alguma coisa prejudicial sobre o uso a longo prazo? Sim. Além de poder comprometer o desenvolvimento da fala, “o ato de chupar a chupeta pode fazer a criança engolir mais ar, causando gases e cólicas, ou infecções devido a germes presentes na superfície da chupeta”, afirma o pediatra Rodrigo Aguiar da Silva.
O dentista Luke Matranga explica que existem dois tipos de danos que podem ocorrer a longo prazo com o uso constante da chupeta. O mais comum são as crianças apresentarem a chamada mordida aberta: sobra espaço entre os dentes frontais de cima e de baixo, mesmo quando os dentes de trás estão fechados. Isso corrige-se normalmente seis meses após parar de usar a chupeta, mas algumas crianças também podem acabar adquirindo a mordida cruzada, que é quando a arcada superior fica mais estreita que a inferior. E tome aparelho.
A odontopediatra da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Branca Heloísa, mãe de Fernanda e Alice, explica que a chupeta não é recomendada. Ela alerta que a única circunstância em que um odontopediatra sugeriria o uso de chupeta seria no caso de  crianças que chupam o dedo. “Nesse caso, a chupeta seria introduzida para substituir o dedo porque, geralmente, é mais difícil remover o hábito de chupar dedo do que remover o hábito de chupar chupeta”, afirma. 
Para a fonoaudióloga Ana Paula Córdova, o maior problema da chupeta está no seu uso indiscriminado, principalmente a partir dos 2 anos. Elas são induzidas a respirar pela boca, quando o correto é a respiração pelo nariz. “A sucção da chupeta por tempo prolongado tende a provocar alterações na musculatura dos lábios e da língua, levando a diminuição do tônus nessa região. Como consequência, a criança tenderá a manter a boca entreaberta, favorecendo a instalação da respiração oral”, explica Ana Paula. 
A fada do dente
Com as consequências em mente, eu sabia que era hora de Stella parar de usar a chupeta – mas estava claro que ela não ia fazê-lo por conta própria tão cedo. Na verdade, seu apego parecia estar cada vez mais forte. Então, começamos um processo gradual de desmame, deixando-a usar a chupeta só para dormir. Isso foi fácil. O que realmente a assustou foi a possibilidade de dormir sem a chupeta. Cada criança é única e você sabe melhor do que ninguém. Especialistas concordam que quanto mais cedo você iniciar o processo, mais fácil será o adeus à chupeta. “Quanto mais velhas as crianças ficam, mais elas estão dependentes da chupeta, mais conscientes de quem são, e mais capazes de nos torturar”, diz a terapeuta familiar Bette Alkazian.
Há milhares de formas de aposentar a chupeta. A mais popular é a fada, que vem à noite para tomar as chupetas, deixando um grande presente. Existe também a possibilidade de levar o seu dependente para uma loja de brinquedos para “negociar” seu vício por um brinquedo de criança grande. O mais recomendado é explicar que agora ela cresceu. Como canta Arnaldo Antunes na música Tchau Chupeta, do CD e DVD Pequeno Cidadão: "Já pensou uma mãe chupando chupeta?/Já pensou um pai chupando chupeta?/E uma vó de bobs e chupeta?/E um vovô de bengala e chupeta? Todo mundo uma hora tem que se libertar..."
“O importante é ter paciência e aguentar o choro, afirma a psicóloga Solange Wertman, o que é a parte mais difícil, sem dúvida. No final, minha própria filha recebeu uma visita especial da Fada da Chupeta, quando tinha cerca de 2 anos e meio. Nós começamos a falar sobre o dia maravilhoso em que a Fada chegaria. Depois de algumas semanas, ela recebeu uma carta das fadas, anunciando que ela apareceria naquela noite e instruindo Stella a juntar seus bicos e deixá-los na porta do quarto. Na manhã seguinte, lá estava à espera em seu lugar um presente carinhoso e uma nota de parabéns.
Bem, tivemos noites duras - mas nada como eu temia. A sua brincadeira favorita é dizer: “Mamãe, eu quero uma chupeta!” (Então eu dou um tapa na coxa e rio como se fosse piada: ela adora isso). A vida sem chupeta é possível. Mas quando passo por uma criança chupando seu bico, sinto uma pontada de saudade - como se eu fosse a viciada.
Consultoria:
Ana Paula Córdova, filha de Maria Aparecida e Clovis, é fonoaudióloga do ambulatório de pediatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto. Branca Heloísa, mãe de Fernanda e Alice, é odontopediatra da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Maria Lúcia Müller Stein, mãe de Beatriz e Fernanda, é psicóloga. Michela Kamers, mãe de Joaquim e Maria Clara, é psicanalista e professora do Departamento de Psicologia da Universidade Regional de Blumenau. Miriam Perez de Figueiredo, mãe de Felipe e Carla, é professora do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rodrigo Aguiar da Silva, filho de Alcindo e Maria, é pediatra. Solange Wertman, mãe de Raphaela, é psicóloga e idealizadora do projeto Babá e bebê.


Medos mais comuns nas crianças
Ter medo é um bom sinal. É o primeiro passo para a criança se dar conta da própria existência.
Por Mônica Dallari, mãe de Bruno, João e Dalmo/foto: Felipe reis, filho de Marisa
25.06.2013
Seu filho tem medo do lobo mau? E daquele amigo da família? Se você respondeu que sim, então fique tranqüilo. É sinal de que tudo vai muito bem com ele. Ter medo é o primeiro passo para a criança se dar conta da própria existência. E é a partir do reconhecimento de si mesma que ela vai começar a trilhar os caminhos para crescer e se desenvolver, tornando-se independente dos pais. E isso dá um medão, claro.
Os temores da criança não têm uma ligação direta com a realidade. Eles ganham sentido pelos significados que os pequenos criam. Faz parte de um processo de aprendizado. Entre os 5 e 6 meses de vida, por exemplo, o bebê sente medo excessivo de estranhos. Já está bem esperto para distinguir as pessoas amigas e as desconhecidas. Entre os 6 meses e o primeiro ano de vida, é o período em que ele se torna mais desconfiado. Teme separar-se das pessoas conhecidas, especialmente da mãe. Não se assuste com os berros. O medo significa que a família fez seu papel direitinho e possibilitou à criança perceber que ela é um ser à parte. 
Quem tem medo do pediatra?
Nessa fase a criança estranha até mesmo o pediatra. Tenta pular no colo da mãe e grita ao ser examinada. Jaqueline Santos Silva, mãe de Larissa, de 8 meses, levou o maior susto no retorno à médica da filha. “Ela queria se jogar da mesa”, conta. O terror cessou apenas quando terminou o exame. “A conquista da criança depende da paciência do pediatra com a situação”, diz o dr. Francisco de Fiore, pai de Rosa Helena, Eduardo, Rodrigo e Maria Lúcia, do alto de sua expe-riência de 50 anos na pediatria.
A criança de 1 ano pode se atemorizar com objetos que se movam repentinamente ou façam barulhos altos. Abrir um guarda-chuva ou ligar o aspirador de pó pode resultar em sobressaltos. Um cão latindo alto, então... Relaxe, está tudo certo. É importante respeitar o medo do seu filho para não aumentá-lo ainda mais. 
Entre o primeiro e o segundo ano, a criança pode se assustar com o banho. Se ela tiver medo de entrar na banheira, não a obrigue. Forçar nunca é uma boa solução. Por um tempo, arrume outras formas de limpá-la, como uma esponja molhada ou chuveirinho. Deixe-a brincar com água dentro de vasilhas até se acostumar. Comece, então, a encher a banheira com apenas dois dedos de água, retirando-a do banho antes de esvaziar.
Entre 2 e 3 anos, quando as crianças desenvolvem diversas habilidades, muitas vezes não conseguem distinguir os objetos que têm vida. Ao começar a tirar a fralda, ela pode se mostrar assustada com a saída brusca da água do vaso sanitário. Se seu filho se recusa obstinadamente a se sentar, dê um tempo para ele se acostumar. Tenha paciência. Muita e sempre.
Quero a minha mãe!
O maior temor mesmo, o campeão, é o de se separar da mãe. Geralmente a criança não faz objeção quando ela está fora, porém, quando a mamãe retorna, pendura-se nela e fica apavorada com a possibilidade de ser deixada novamente. A ansiedade cresce na hora de dormir, sinônimo de separação por várias horas. Aparecem também as primeiras preocupações com a morte. “A criança não teme a morte em si, mas perder a mãe de vista, já que ela se guia mais pela expressão dos pais do que pela realidade para saber se está correndo risco ou não”, explica o psicanalista Homero Vetorazzo Filho, pai de Sofia e Beatriz. 
Aos 3 anos, a imaginação da criança chega a um grau em que ela pode se sentir em perigo mesmo estando em perfeita segurança. “Nos últimos tempos, a minha filha Rafaela, de 2 anos e meio, ao entrar no avião quando viajamos de João Pessoa a Curitiba, onde está a minha família, começa a chorar totalmente apavorada, mesmo estando acostumada à viagem”, conta Giovanna Gondim Montingeli.
Superproteção
Dos 3 aos 4 anos, a curiosidade surge fortemente. Os temores são comuns em crianças cuja imaginação foi estimulada por histórias fantásticas ou que recebem cuidados excessivos dos pais e acabam tendo dificuldade para desenvolver a sua independência. Assistir a TV ao lado dos filhos explicando que aquilo não é realidade também é muito importante, diz a psicanalista Elizabeth Monteiro, mãe de Gabriela, Samuel, Tarsila e Francisco. 
Se seu filho tiver medo do escuro, tente tranqüilizá-lo e não caçoe dele. Respeite. Você sabe que o monstro não existe, mas o medo dele é bem real. Dê a segurança de que tem a certeza de que nada de mau vai lhe acontecer. É a hora do abraço apertado e o momento para ouvi-lo. “Os pais precisam conversar sobre o medo e fortalecer a criança para enfrentá-lo. Mostre que, mesmo estando longe, ela é lembrada por quem a protege”, afirma o dr. Homero.
Aos 4 anos, surge na criança o medo de que seus desejos de raiva contra os pais se realizem. É importante os pais conversarem e tentarem amainar a ira e a culpa do filho, dizendo saber que ele está zangado, mas confirmando que o amor entre eles não foi abalado. Ele está crescendo e, aos 5 anos, os medos começam a se relacionar mais com a realidade. Um medo cada vez mais comum é o de não ver os pais mais juntos. “Se o casal briga, o filho já pergunta se vai se separar”, constata Elizabeth Monteiro.
Aos poucos, a criança distingue fantasia e realidade. Entre 6 e 7 anos, seu filho torna-se mais independente de você. Os medos se intensificam e ficam mais específicos: do fracasso escolar, medo de errar, de perder as pessoas queridas. Medos, afinal, que a gente também tem, vai dizer que não? 
Veja quais são os medos mais comuns na infância
6 meses a 1 ano 
- Separação das pessoas conhecidas;
- Perda de apoio;
- Quedas Animais;
- Visitas ao pediatra;
- Medo de dormir;
- Ruídos fortes;
- Luzes brilhantes.
2 ANOS 
- Estranhos;
- Animais;
- Descargas;
- De separar-se dos pais
3 ANOS
- Escuro;
- Cães;
- Barulhos;
- Monstros;
- Primeiras preocupações com a morte
4 ANOS 
- Animais;
- Monstros;
- Situações novas;
- Temem que desejos de raiva contra os pais se realizem
5 ANOS
- Fracasso escolar;
- De se perder;
- Abandono
6 ANOS 
- Pessoas deformadas (temem que o problema aconteça com elas);
- Chegar atrasado à escola;
- Ser esquecido na escola;
- Fracasso escolar;
- Medo do erro;
- De perder as pessoas queridas;
- Da rejeição social
7 ANOS 
- Escuro;
- Seres sobrenaturais;
- De passar por ridículo;
- Fracasso escolar;
- Medo de errar


Jogo: Cálculo Premiado

Ana Lúcia Hennemann
          Muitas vezes deixamos de realizar jogos na sala de aula por falta de tempo para 
elaboração de  materiais apropriados para tais atividades. Entretanto, o Jogo Cálculo Premiado
 é uma atividade que as crianças adoram e não necessita de materiais diferenciados para 
realizá-lo. Este  jogo aprendi com uma colega de trabalho, há muitos anos atrás, e utilizo
 nas mais variadas séries, claro que adaptando de acordo com o nível de entendimento dos 
alunos. Inicialmente os alunos recebem meia folha de ofício e a dobram de acordo com a quantidade de rodadas do jogo. No quadro, a professora coloca três colunas A, B e C e em cada uma delas
 há um cálculo.
           Os alunos deverão escolher uma das colunas e realizar o cálculo da mesma. Sendo
 que, anteriormente, se faz a combinação de que todos devem marcar na sua cartela qual 
a coluna que escolheram, pois valerá pontos para quem fizer o cálculo correto  e um 2º
 ponto para quem tiver sua coluna sorteada.
                   Quando todos tiverem realizado o cálculo, juntamente com os alunos, a 
professora faz a correção das três colunas, sendo que cada um marca 1 ponto se acertou o 
cálculo e em seguida se joga o dado para ver qual a coluna sorteada. Sendo que aqui, além dos
 3 lados do dado A, B e C, as crianças pediram para colocar mais 3 lados com outro sinal, 
onde se caísse esse sinal, todos os cálculos seriam sorteados.
           Obs. Na falta de dados, pode-se até utilizar qualquer outro recurso, tal como cartas
 com as letra A, B e C e alguém faz o sorteio das mesmas. E como já mencionei 
anteriormente, cada um pode adaptar conforme as habilidades e competências de seus 
alunos. O importante é Brincar, Jogar e Aprender.


Escrita espelhada, o que fazer?



    Quando as crianças iniciam a escrever suas primeiras palavras ou números, a sensação dos pais é indescritível. É um processo de autonomia, um ritual de passagem evidenciando uma nova etapa na vida da criança... É uma gracinha ver aquelas mãos tão delicadas iniciando seus traçados...
    Ao compor suas primeiras escritas elas mostram-se portadoras de inúmeras experiências, desejos, anseios e dinâmicas particulares de aprendizado. Vygotsky (1998) destaca que a escrita tem significado para as crianças, desperta nelas uma necessidade intrínseca e uma tarefa necessária e relevante para a vida.
      Entretanto, na medida em que esta escrita avança é comum que elas evidenciem letras ou números espelhados...algumas já estão lá por volta dos 7 anos e ainda mantém esta característica e por que será que fazem isso?

     Em primeiro lugar é importante ressaltar que espelhar letras e números é normal, pois a criança está em processo de construção da escrita. Para que ela tenha o entendimento, que nós adultos temos que a escrita inicia da esquerda para a direita (no caso da cultura ocidental), algumas noções anteriores ao papel devem ser bem trabalhadas. A aquisição da escrita é posterior à aquisição da linguagem e posterior a um nível específico de maturidade motora humana.
     Conforme Esteban Levin (2002: 161), o ato da escrita em si, não depende somente do ato biológico, mas de toda uma estrutura que provém do sistema nervoso central,
[...] o que escreve é um sujeito-criança, mas, para fazê-lo, necessita de sua mão, de sua orientação espacial (lateralidade), de um ritmo motor (relaxamento-contração), de sua postura (eixo postural), de sua tonicidade muscular (preensão fina e precisa) e de seu reconhecimento no referido ato (função imaginária).
     Conforme manual de neurologia infantil, autoria de Diament (2005), a partir dos 7 anos que a criança começa a consolidar a noção de direita e esquerda, bem como encontra-se em fase de maturação de áreas visoespaciais, portanto é perfeitamente normal ainda apresentar algumas trocas  na direção de suas escrita, pois estão em processo de aprendizagem, sistematizando suas hipóteses e consolidando noções importantes em aspectos neurobiológicos, porém, alguns alunos espelham palavras e frases inteiras, característica da disgrafia. No entanto, isso não significa que as crianças que espelham letras e números apresentem disgrafia, mas se no final deste ano, após todas as intervenções pedagógicas terem sido realizadas, visando a “escrita correta” das palavras, faz-se necessário uma avaliação mais detalhada.
       Dehaene (2012) nos mostra que a capacidade de reconhecer as figuras simétricas faz parte das competências essenciais do sistema visual, porque permite o reconhecimento dos objetos independentemente da sua orientação, por esse motivo  que quando uma criança aprende a ler tem que “desaprender” a generalização em espelho para que possa compreender a diferença entre as letras “b” e “d”.  A maioria das crianças passa por uma fase de escrita em espelho tendo geralmente ultrapassada esta dificuldade por volta dos 8 anos. Entretanto, cabe ressaltar que algumas das crianças que apresentam escrita espelhada são canhotas.
      A identificação de uma imagem na sua forma simétrica, confusão esquerda-direita, também é frequente, no nosso sistema visual (Dehaene 2007).
       No entanto, na sala de aula existem professores que consideram "errado" quando os alunos escrevem palavras ou números espelhados, por isso se faz necessário esclarecer que antes de considerar certo ou errado, faz-se necessário realizar atividades que propiciem a lateralidade. Com certeza, no processo de alfabetização, tanto pais, quanto professores, devem sempre questionar a criança sobre como poderia melhorar aquilo que fez, procurar fazê-la tomar conhecimento do que fez e como o fez, mas também como deveria fazê-lo. 
        Numa abordagem neurocientífica Guaresi (2009) enfatiza que:
A criança tem que manipular um repertório de  habilidades motoras finas e complexas concomitantes com dados sensoriais (conteúdo visual),  um processo que envolve muitas funções cerebrais, tais como atenção, memória, percepção  (integração e interpretação de dados sensoriais), entre outras. O processo de aprendizagem da  escrita envolve, entre outros aspectos, a integração viso-espacial, ou seja, visualizar o que está  sendo apresentado, localizar o lápis, acomodá-lo de forma satisfatória na mão, direcioná-lo ao  caderno e iniciar a sequência de movimentos numa tentativa de escrita. Com o tempo e o reforço das redes sinápticas correspondentes, este processo será automático, ou seja, não  precisará de monitoramento cerebral constante para execução da tarefa e a criança terá  condições de aumentar o nível de complexidade.

       Existem três domínios principais que precisam ser ensinados para que uma pessoa tenha autonomia no ato de escrever: o domínio linguístico, o domínio gráfico e o de conceitos de letra e texto. A escrita  como um sistema organizado manifesta nossa capacidade de simbolizar.  É complexo e sua aquisição demanda o domínio das várias dimensões que o compõe, por exemplo, além da segmentação, as crianças precisam adquirir no domínio gráfico, noções de esquerda para a direita, de cima para baixo.
          Portanto, a neuropsicopedagogia não lida apenas e diretamente com o problema de aprendizagem, mas com todos os processos metacognitivos que fazem com o ser humano venha a ter melhores condições de aprendizagem. Nesse sentido é importante lembrar que os alfabetos expostos em sala de aula, não deveriam ser em E.V.A, pois na maioria das vezes, apresentam somente a letra script maiúscula, sendo que no mundo letrado, não é somente este tipo de escrita que a criança encontra, muito menos deveriam conter formas de “bichinhos, bonequinhos”, pois isto também acarreta em confusão para aquela que se encontra em processo inicial do traçado das letras. Ela precisa visualizar a estética correta da escrita, e se possível que neste alfabeto seja sinalizado por setas indicando por onde começar esta escrita. A mesma sugestão é válida para o traçado de números. No entanto, antes de sistematizar a escrita “no papel”, diversas outras atividades envolvendo o corpo devem estar bem desenvolvidas, pois tudo que sentimos através do nosso corpo, torna-se mais significativo e é nesse sentido que seguem algumas sugestões de atividades:

Jogo de orientação espacial:
Dependendo da idade da criança, pode-se colocar uma fita no braço, ou perna sinalizando o lado direito (ou esquerdo). Coloca-se no chão algo delimitando o espaço, por exemplo 3 colchonetes. A criança fica posicionada no colchonete do meio, e o professor diz: direita (ele deve passar para o colchonete correspondente), esquerda ou meio. Também, após terem dominado estas noções,  pode ser colocado outros 3 colchonetes na frente da criança, sendo que outra participe da atividade, demonstrando que ao se posicionarem uma frente a outra, o ato de pular para a direita de uma, irá mostrar-se diferente do ato de pular para a direita de outra.

Atividades com balão:
Tentar manter o balão no ar, somente batendo nele com a mão direita, após somente com a mão esquerda.


Brincar de Robô:
Uma criança é o robô, e seu parceiro é o guia. Auxiliados pela professora, combinam sinais de movimentação do robô. Por exemplo, se o guia tocar o lado esquerdo da cabeça do robô, esse vira para a esquerda; se tocar o lado direito, vira à direita; se tocar o alto da cabeça, o robô abaixa, e assim por diante. Algum tempo depois, invertem-se os papéis, sendo que o guia vira robô, e o robô vira guia. Depois disso, a brincadeira é feita com deslocamentos. As duplas combinam os sinais de movimentação. Por exemplo, um toque na parte de trás da cabeça é sinal para o robô ir adiante; um toque nos ombros é sinal para que ele pare.

Brincar de espelho:
Inicialmente cada aluno faz as atividades sozinhos, ou seja, a professora diz, mostrar a mão direta, colocar o pé esquerdo ao lado da cadeira, colocar a mão esquerda no olho esquerdo, encostado no cotovelo direito  no joelho direito, e ir dizendo várias situações. Mas para brincar de espelho, cada um ficará de frente a um colega e deverá seguir as instruções dadas pela professora, porém localizando no outro.

Que letra é essa?
Nas costas do aluno o professor faz com o dedo uma letra e o mesmo deve dizer qual é.

Caminhar sobre as letras:
No chão, fazer o traçado de letras ou palavras e os alunos devem caminhar sobre as mesmas, seguindo a ordem que o traçado deve ser feito. 

Escrita com água:
Os alunos podem molhar o dedo na água e vir ao quadro passar o dedo sobre o traçado das palavras.

Escrita na areia:
No chão, escrever com o dedo, ou palito de picolé, o traçado de palavras.

Modelagem de palavras:
Usando argila ou massa de modelar, escrever palavras modelando letra por letra.

Referência Bibliográfica:
BOSSA, Nádia. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. Porto Alegre: ARTMED, 2000.
DEHAENE, Stanislas. Os Neurônios da Leitura: Como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.
DIAMENT, A. CYPEL,S. Neurologia Infantil, 2005, p. 78
GUARESI, Ronei. Etapas da aquisição da escrita e o papel do hipocampo na consolidação de
elementos declarativos complexos. Letrônica, Porto Alegre v.2, n.1, p. 189, jul. 2009.
LEVIN, Esteban.  A Infância em Cena. Petrópolis: Ed. Vozes, 2002- 
LIMA, Elvira Souza .Coleção Cotidiano na Sala de Aula. Ed Inter Alia, São Paulo


Semeie Sempre



No grande mundo de Deus, tu és um semeador. Tu és presença e pessoa. Junto aos homens não podes fugir à responsabilidade de semear.
Não digas: O solo é áspero. O sol queima.Chove demais. A semente não presta.
Tua função não é julgar a terra, o tempo, as coisas, os homens. Tua missão é semear.
A semente é abundante e germina facilmente: Um pensamento, um gesto, um sorriso, um aperto de mão, um conselho amigo. Um copo d’água.
Não semeies, porém descuidadamente, como quem cumpre uma tarefa. Semeia com interesse, com dedicação, com amor. Semeia com quem encontra nisso o motivo maior da sua felicidade.
Sem esperar recompensa, serás recompensado. Semeia, pois: no Reino, dar é receber; gastar a vida servindo é crescer e transformar. Por isso, semeia sempre, em todo terreno, em todo tempo, a boa semente, com amor e com carinho como se estivesse dando o próprio coração.
Sai semeador. Parte. Levas as sementes e a esperança. Não esqueças de voltar depois de regar. O Pai  fará crescer e tornar-se fruto a semente que ele te confiou. A ti te cabe partilhar, semeando e regando.
Senhores pais, as sementes que Deus lhes confiou são seus filhos. Ser fruto amanhã dependerá de como cuidou e regou esta semente.


Casa e Lar


Casa é uma construção de cimento e tijolos.Lar é uma construção de valores e princípios.Casa é o nosso abrigo das chuvas, do calor, do frio.Lar é o abrigo do medo, da dor e da solidão.Casa é o lugar onde as pessoas entram para dormir, usar o banheiro, comer. Onde temos pressa para sair e retardamos a hora de voltar.O lar é o lugar onde os membros da família anseiam por estar nele, onde refazem suas energias, alimentam-se de afeto e encontram o conforto do acolhimento. É onde temos pressa de chegar e retardamos a hora de sair.Numa casa criamos e alimentamos problemas.O lar é o centro de resolução de problemas.Numa casa moram pessoas que mal se cumprimentam e se suportam.Num lar vivem companheiros que, mesmo na divergência, se apóiam e nas lutas se solidarizam.Casa é local de discussões, conflitos, discórdia.No lar as discussões, os conflitos, existindo, servirão para esclarecer e engrandecer.Numa casa desdenha-se dos nossos valores.No lar sonhamos juntos.Numa casa há azedume e destrato.Num lar sempre há lugar para a alegria.Numa casa nascem muitas lágrimas.Num lar plantam-se sorrisos.A casa é um nó que oprime, sufoca.O lar é um ninho que aconchega.Se você ainda mora em uma casa, nós o convidamos a transformá-la, com urgência, em um lar e que Deus seja sempre o seu convidado especial.


Autor Desconhecido